quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Pequenas cronicas dos 100 anos da PIBAC - 27


 

Sendo cuidada pelo Pr. Alberto Araújo

O pastor Alberto Araújo ia fazer 36 anos quando assumiu o ministério na  igreja do Arraial para ajudar devido o falecimento do pr. Valadares. Ele era natural do município de Itaocara, sendo batizado com 13 anos de idade, tendo passado sua adolescência e parte da juventude em Itaperuna. 

De lá foi estudar em Campos e depois foi para a Capital Federal, onde, com muitas dificuldades financeiras, fez o curso de Teologia no seminário do Sul,  se fomando em 1940, onde logo após passou a fazer oparte do corpo docente ministrando as disciplinas de Grego, Evangelismo e Teologia Bíblica.

Quando assumiu o pastoreado no Arraial, já era pastor da Igreja Batista em Neves, São Gonçalo onde  permaneceu por mais de 56 anos de um frutífero ministério.  Nesse período foi pastor interino também em várias igrejas do campo fluminense.

No arraial fez um ministério interino de apenas 8 meses, privilegiando o cuidado pastoral com a igreja, para fortalece-la para um futuro novo Ministério. Em abril de 1947, fez a indicação do pr. Clério Boechat para assumir em seu lugar, o que foi aprovado pela igreja.

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 24

Deus chamou o pastor.

Dia 28 de junho de 1946 foi uma sexta feira triste.  Na tarde deste dia, a igreja deu um tempo nos sonhos da construção do novo templo pra chorar o falecimento de seu amado pastor.

A greja batista, entre os “porquês” e “como” aconteceu  essa tragédia, com certeza  passava por um de seus momentos mais difíceis. A perda repentina de seu líder era um impacto grande e doloroso. Mas ao mesmo tempo era confortador saber  que o “irmão Antônio Valadares foi para os braços do Deus Eterno”

A liderança da igreja demonstrou mais uma vez que eram homens cheio de fé e graça, assumindo a continuação do pleno funcionamento da igreja, e apesar de tristes com a perda, valorizaram o legado do líder.

Em 11 agosto, uma caravana formada pelo missionário americano W. B. Mac Neally, pr José Silveira (nosso primeiro pastor) e pr Alberto Araújo (da Igreja em Neves) estiveram  na Igreja do Arraial, numa visita de apoio espiritual e orientando a seguir a caminhada. E nesse dia, a igreja aprovou com unanimidade a indicação  do pr Alberto Araújo para ajudar a passar por esses dias difíceis.

Tempos depois, a praça que ficava em frente ao novo templo foi chamada de Praça Pr. Antonio Valadades, que é o endereço da igreja atual

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Aquisição de um terreno no Largo da Lagoa Verde

Durante o ministério do pr. Antônio Valadares, se percebeu a necessidade de se ampliar o templo (lembrando que o templo era na praia grande, atual Getúlio Vargas). durante  os vários debates foi amadurecendo a ideia de se fazer uma reforma no templo e começar  a se preparar para construir um novo templo em um outro local.

Foi escolhido e comprando um terreno num local chamado “Largo lagoa verde” (local do tempo atual) e a igreja começou a se preparar para construir, agora sem muita pressa, pois o templo em uso tinha sido reformado atendia a igreja naqueles dias.

Assim começou campanhas de para arrecadar fundos para a obra. Campanha do tijolo, campanha junto as classes de Escola Dominical, um domingo com de ofertas para campanha entre outras.

Paralelo a isso, o pastor levou a igreja a fazer campanhas de oração e de evangelismo, ficando decidido que todos domingos teria culto ao ar livre.

E assim a igreja crescia e se preparava para o futuro.

Pequenas crônicas dos 100 an9s da PIBAC - 22

 




Enfim, um pastor morando na cidade

O nosso terceiro pastor, Antônio Valadares. também era um pastor itinerante, (assim como os pastores anteriores, José Silveira e Honório de Souza) ou seja, ajudava pastoreando outras igrejas do campo Fluminense.  Mas dessa vez, a moradia do pastor era no Arraial, ou seja, ele ficava mais tempo  em nossa comunidade.

Esse ficar mais tempo junto a igreja e a comunidade, ajudava  em relação de conhecer melhor não só  membresia, as também as necessidades do povo cabista e em cima disso direcionar a igreja a ser benção.

Um outro ponto positivo, foi que com a sua presença mais frequente na cidade, o povo cabista que não frequentava a Igreja Batista tinha um acesso mais fácil para conhecer melhor o que era a igreja protestante e, com esse conhecimento, diminuir o preconceito e as perseguições

Para isso, a companhia de homens que eram da igreja e ao mesmo tempo, tinham uma certa influencia na comunidade, ajudava nesse processo. Então sempre é bom lembrar de homens de Deus no Arraial como o diácono Venâncio de Mello, Antônio Teixeira, Clodoaldo Leite entre tantos outros.

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 21


Novo Ministério... novos desafios

A chegada do Pastor Antônio Valadares na Igreja Batista no Arraial coincidiu com um fato da história que, além de mudar o mundo da época, mudou profundamente o vilarejo de pescadores e por conseguinte, a história da Igreja Batista - A segunda Guerra mundial.

Com a guerra o Brasil começou a ver a necessidade de ter algumas matérias primas que importava. O transporte naval dessas matérias primas subiu muito por causa da instabilidade mundial. Uma dessas necessidades urgentes do Brasil era um produto chamado barrilha que era essencial para a iniciante indústria brasileira.

Pesquisas feitas mostraram que o melhor  local para se fazer uma indústria que viesse a produzir uma boa barrilha era no Arraial do Cabo, pois aqui existia um porto, uma lagoa (de Araruama) que poderia fornecer calcário, água fria (do mar) para resfriar a indústria, água da lagoa de Juturnaíba, e não era distante da capital federal e das indústrias dos grandes centros.

Em pouco tempo, a aldeia de pescadores estava recebendo engenheiros da Europa, líderes do governo, máquinas diversas, projetos e mais projetos de crescimento. A igreja agora tinha que se adaptar a um novo tempo.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 20




Lá vem as  mercadorias

Por certo, nossos irmãos da igreja passavam por dificuldades para comprar alimentos e outras necessidades. o transporte destas mercadorias era  feito  por tropeiros, que eram o transporte de cargas da época em nossa região. eles andavam em grupo numerosos e encaravam as trilhas e estradas quase intransitáveis. Para isso, usavam as mulas,  que eram animais mais barato que os cavalos e tinham grande resistência para suportar o sol, o vento, a lama  e as areias brancas.

Nos lombos das mulas vinham tudo aquilo que o cabista necessitava comprar para sua sobrevivência: Café, farinha de mandioca,  carne seca, querosene, roupas, frutas, queijos. As “vendas”  eram abastecidas pelos tropeiros e eles votavam com os balaios cheio de peixes salgados, escoando assim os produtos da pescaria dos bravos homens do mar.

Assim, mesmo em meio a tantas lutas e dificuldades, os moradores do Arraial tinham o motivo de agradecer e adorar a Deus. E a igreja, ainda situada na atual Avenida da Getúlio Vargas, passava por experiências de ver Deus agindo em suas vidas e através delas.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 19


 

Qualquer viagem era uma grande aventura

Na primeira metade do século passado, para ir a  Cabo frio era uma verdadeira aventura. Nossa cidade , pela sua posição geográfica, era a de acesso mais difícil. Os nossos irmãos da igreja só saiam do vilarejo se fosse muito necessário. O jeito mais  prático era, para aqueles que podia, ir nos lombos de cavalos e as crianças nos balaios.

Alguns encaravam a jornada  caminhando por uma trilha a beira  da praia (pontal e foguete). O outro caminho era passando pela trilha dos tropeiros, onde hoje temos a estrada que chega a Cabo Frio pela Vila do sol. Um dos motivos de se fazer uma curva tão alongada era a presença das dunas entre Cabo Frio e Arraial.

Mais tarde, surgiria uma lotação chamada de  “marinete”, que fazia duas viagens por dia no trajeto Arraial-Cabo Frio. De Cabo Frio poderia pegar um ônibus para a capital do estado, Niterói, e uma barca para o Distrito Federal, Rio de Janeiro. Tinha também uma linha ferroviária ligando Cabo Frio a Maricá, e de lá, pegar um outro trem ate Niterói.

Assim, qualquer que fosse  meio de transporte, o cabista só saia de sua cidade se houvesse muita urgência.