quarta-feira, 13 de setembro de 2023

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS PIBAC (14)

 


O primeiro diácono

Assim como a igreja primitiva em Jerusalém, a  “Egreja Baptista” no Arraial do Cabo crescia a passo largos. Mas como todo crescimento, surgiram novas dificuldades para a liderança resolver, cuidar, administrar. E para dificultar mais ainda, o pastor da igreja só vinha para  cidade geralmente uma vez por mês.

Então, em fevereiro de 1937, pastor Honório e igreja entenderam que  deveria  escolher e consagrar um dos irmãos para o serviço diaconal, sendo escolhido pela igreja, com a aprovação pastoral,  o sr. Venâncio Teixeira de Mello Júnior. 

Irmão Venâncio, natural do Arraial do Cabo e um dos membros fundadores da igreja foi consagrado diácono em maio de 1937, com a presença de 24 membros no culto. Ele seria designado para ajudar a igreja no cuidado com os mais carentes e ser um representante  da igreja em suas necessidades.

O irmão Venâncio foi inúmeras vezes vice-presidente da igreja, secretário, além de ser pregador, evangelista e professor de EBD. Era respeitado tanto na igreja como na comunidade cabista.

O Diácono Venâncio, além da participação no servir a Ceia, também ajudava na celebração dos Batismos e acompanhava o pastor nas  visitas.


terça-feira, 12 de setembro de 2023

PEQUENAS CRONICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC - (13)

 





ATAS

Existe coisas que não damos valor, mas que na verdade são essências para  o bom caminhar da igreja. uma dessas coisas são as ATAS.

A ATA tem como objetivo registrar as ideias, informações e decisões tomadas por uma coletividade. Ela é um importante e eficiente recurso para se documentar  o que foi debatido e deiberado em uma reunião ou assembléia.

E quando uma igreja está perto de celebrar os 100 anos,  a ATA se transforma numa grande ferramenta onde podemos (e devemos) pesquisar para extrair tesouros de uma história secular.

Infelizmente o primeiro livro ( ATAS dos anos 1923  a 1932) se perdeu. Mas os livros seguintes nos mostram o caminhar da igreja e  em paralelo, da transformação do pequeno vilarejo para a atual cidade.

Certo dia, conversando com um historiador cabista, ele  disse não acreditar que a igreja foi organizada em 1923. mas  ao mostrar os livros de ATAS, ele não só aceitou a data como certa, como  também ficou feliz em ver um exemplar que faz parte de nossa história.

As ATAS são mais que simples informações... são histórias de vidas de pessoas que marcaram seu tempo e a historia da pibac

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

PEQUENAS CRÔNICAS 100 ANOS DA PIBAC - (12)

A igreja e a comunidade

Na primeira metade do século passado, o Arraial estava sendo mal administrado pela sede do governo municipal em Cabo frio. Toda e qualquer melhoria que pudesse vir para  cidade, ficava na sede do município, enquanto os distritos eram deixados de lado em todas áreas.

A Igreja Batista, percebendo que podia ajudar de alguma forma, sempre fazia algo pra a comunidade, com o objetivo de abençoar vidas, diminuir um pouco as necessidades  e divulgar o amor de Deus.

E uma coisa que incomodava muito a comunidade (religiosa, porém extremamente supersticiosa) era o fato do Cemitério Municipal estar sem portão há um certo tempo e o poder público não fazer nada.

A Igreja  Batista, vendo o desgosto da comunidade em ter que passar em frente ao local, assume o compromisso de fazer e colocar o portão do Cemitério local, no que é ajudada por alguns cabistas que passavam na hora.

Esse gesto de cuidado com a cidade foi bom para a igreja também, pois por um bom período, as hostilidades por motivo de religião diminuíram.

 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

PEQUENAS CRONICAS 100 ANOS DA PIBAC (11)


 Uma igreja missionária

Apesar de ser localizada num vilarejo pequeno, a Igreja Batista em arraial do Cabo sempre primou por abençoar vidas e igrejas. Na década de 30, algumas pessoas da comunidade foram  ajudadas tendo o seu estudo em parte custeado pela igreja.

E mesmo estando em construção, a igreja participou com liberalidade enviando ofertas para construção de templo de outras igrejas como  de Campos e a de Lavras.

Também participava ativamente  das campanhas de Missões Estrangeiras e Nacionais, se desafiando a levantar sempre ofertas maiores do que o ano anterior e se alegrando a participar do Ide, mesmo a distância.  Era fiel com o plano cooperativo e de enviar oferta para a educação, além de periodicamente  amortizar a dívida com a Junta de Patrimônio.

Uma pequena igreja constituída de famílias de pescadores num pequeno  e distante vilarejo, mais que sempre teve como visão o abençoar vidas, outras igrejas  e alcançar outros povos. Enfim, a Igreja Batista em Arraial do Cabo sempre foi uma igreja missionária


PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC - (10)







Uma cidade cercada de água... sem água

Uma das grandes dificuldades do vilarejo Arraial do Cabo na primeira metade do século XX era a escassez de água potável.  A água utilizada era do poço para os  serviços mais pesados e a da cacimba para cozinhar e beber. Os moradores da praia dos anjos frequentavam o poço do Sobral enquanto os da praia grande cavavam cacimbas na areia.

Então com o homem indo para o mar em busca do peixe, que era o sustento familiar, as mulheres geralmente eram as responsáveis de  transportar a água até as casas.

Assim elas saiam bem cedo para a praia, cavavam as cacimbas e ali lavavam suas roupas, colocando-as para secar num arbusto por perto. Enquanto as roupas iam secando, elas enchiam as latas de água e transportava sobre as cabeças para suas casas. Os homens quando podiam, traziam as águas sobre os ombros, com um pau de galão e duas latas na extremidade.

Muitas vezes as mulheres levavam a comida e comiam perto da cacimba. as crianças brincavam por perto, ou as vezes tomavam banho num lagamar. outras vezes, iam fazer outras tarefas e voltavam a tardinha para buscar a roupa já seca.



 


 

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC (9)

 


Tempo das lamparinas.

Nos anos 30, os cultos eram realizados pela manhã e a tardinha, antes de escurecer. Então sempre era necessário ter as lamparinas a querosene a disposição, para, escurecendo, acender para iluminar o ambiente. Nessa época sempre tinha um responsável para comprar o combustível, preparar o pavio e acender a lamparina para clarear o ambiente quando fosse  necessário.

No início dos trabalhos no novo templo  as famílias traziam as lamparinas seguindo um revezamento , até que a igreja comprou uma para esse fim exclusivo.

Anos depois, a igreja comprou um  gerador a óleo diesel, que facilitou muito a iluminação o templo, mas era um equipamento caro para uma pequena igreja e tinha uma manutenção complexa, visto que na região não tinha peças de reposição; Assim de vez em quando as lamparinas voltavam a ação e, na falta do querosene, usava-se as velas.

A energia elétrica só chegaria na igreja na década de 60, já no outro templo e novo endereço.

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS (8)



Batismos

Os batismos eram celebrados ocasionalmente. Sempre que havia alguém sendo discipulado, já se criava uma expectativa para a celebração. A data sempre era marcada de acordo com a possibilidade do pastor itinerante estar presente.

O local escolhido para o Batismo ser celebrado era na praia da Rama, hoje conhecida como Praia dos Anjos por ser uma praia mais calma, com águas mais quentes e  de acesso mais fácil. Nessa época o acesso a prainha era mais complicado e a Praia Grande, além de ser fria, tinha a fama se ser perigosa.

A data era mantida em segredo, para evitar que manifestações acontecesse contra os chamados “protestantes”. Assim procurava-se evitar discórdias e atritos, que por certo, tirariam o brilho e alegria da celebração. Geralmente era realizado a tarde, pois era o horário de menos movimento na praia e também evitava horário que poderiam coincidir com a realização de missa na Igreja Católica.

Apesar dessas dificuldades, almas eram ganhas para Cristo, a igreja crescia e vibrava em frente ao mar, de onde vinha muitas vezes o sustento, agora com uma incontida alegria espiritual.