quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 21


Novo Ministério... novos desafios

A chegada do Pastor Antônio Valadares na Igreja Batista no Arraial coincidiu com um fato da história que, além de mudar o mundo da época, mudou profundamente o vilarejo de pescadores e por conseguinte, a história da Igreja Batista - A segunda Guerra mundial.

Com a guerra o Brasil começou a ver a necessidade de ter algumas matérias primas que importava. O transporte naval dessas matérias primas subiu muito por causa da instabilidade mundial. Uma dessas necessidades urgentes do Brasil era um produto chamado barrilha que era essencial para a iniciante indústria brasileira.

Pesquisas feitas mostraram que o melhor  local para se fazer uma indústria que viesse a produzir uma boa barrilha era no Arraial do Cabo, pois aqui existia um porto, uma lagoa (de Araruama) que poderia fornecer calcário, água fria (do mar) para resfriar a indústria, água da lagoa de Juturnaíba, e não era distante da capital federal e das indústrias dos grandes centros.

Em pouco tempo, a aldeia de pescadores estava recebendo engenheiros da Europa, líderes do governo, máquinas diversas, projetos e mais projetos de crescimento. A igreja agora tinha que se adaptar a um novo tempo.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 20




Lá vem as  mercadorias

Por certo, nossos irmãos da igreja passavam por dificuldades para comprar alimentos e outras necessidades. o transporte destas mercadorias era  feito  por tropeiros, que eram o transporte de cargas da época em nossa região. eles andavam em grupo numerosos e encaravam as trilhas e estradas quase intransitáveis. Para isso, usavam as mulas,  que eram animais mais barato que os cavalos e tinham grande resistência para suportar o sol, o vento, a lama  e as areias brancas.

Nos lombos das mulas vinham tudo aquilo que o cabista necessitava comprar para sua sobrevivência: Café, farinha de mandioca,  carne seca, querosene, roupas, frutas, queijos. As “vendas”  eram abastecidas pelos tropeiros e eles votavam com os balaios cheio de peixes salgados, escoando assim os produtos da pescaria dos bravos homens do mar.

Assim, mesmo em meio a tantas lutas e dificuldades, os moradores do Arraial tinham o motivo de agradecer e adorar a Deus. E a igreja, ainda situada na atual Avenida da Getúlio Vargas, passava por experiências de ver Deus agindo em suas vidas e através delas.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 19


 

Qualquer viagem era uma grande aventura

Na primeira metade do século passado, para ir a  Cabo frio era uma verdadeira aventura. Nossa cidade , pela sua posição geográfica, era a de acesso mais difícil. Os nossos irmãos da igreja só saiam do vilarejo se fosse muito necessário. O jeito mais  prático era, para aqueles que podia, ir nos lombos de cavalos e as crianças nos balaios.

Alguns encaravam a jornada  caminhando por uma trilha a beira  da praia (pontal e foguete). O outro caminho era passando pela trilha dos tropeiros, onde hoje temos a estrada que chega a Cabo Frio pela Vila do sol. Um dos motivos de se fazer uma curva tão alongada era a presença das dunas entre Cabo Frio e Arraial.

Mais tarde, surgiria uma lotação chamada de  “marinete”, que fazia duas viagens por dia no trajeto Arraial-Cabo Frio. De Cabo Frio poderia pegar um ônibus para a capital do estado, Niterói, e uma barca para o Distrito Federal, Rio de Janeiro. Tinha também uma linha ferroviária ligando Cabo Frio a Maricá, e de lá, pegar um outro trem ate Niterói.

Assim, qualquer que fosse  meio de transporte, o cabista só saia de sua cidade se houvesse muita urgência. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

PEQUENAS CRÔNICAS 100 ANOS DA PIBAC (18)





 Um pecado chamado futebol

O futebol chegou para valer em nossa pequena aldeia de pescadores depois da Copa do Mundo de 1930. De repente virou um hábito entres os cabistas de se encontrarem num campo improvisado para disputar uma partida. E esse hábito foi aos poucos  abraçando os membros da chamada igreja protestante.

Se de um lado, esse contato era positivo, pois quebrava barreiras impostas pelo preconceito religioso, do outro lado criava-se dificuldades, pois muitas vezes  os jogos terminavam em brigas, palavrões e até em inimizades.

A igreja então, preocupada com esses “modismos mundanos” acho por bem proibir os seus membros de participar das famosas peladas, seja no campinho a caminho da praia dos anjos ou na própria areia das praias.

Mas era difícil convencer os futebolistas da igreja que não podiam jogar, e muitos iam escondidos para a beira do campo, a espera de uma oportunidade de mostrar seus talentos, e logo saberia que na próxima assembleia, seriam disciplinados. Há comentários que alguns amigos  já chamavam para o jogo só para ver a crise na igreja.

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 17

 



 

Fim de um ciclo...inicio de outro

Depois de quase 10 anos de ministério em Arraial do cabo, o pastor Honório comunica a igreja que Deus o tem chamado para um outro local.

Foi o tempo abençoador em que pastor e igreja caminharam juntos a propagar e viver o verdadeiro evangelho  em terra cabista. Se houve momentos difíceis momentos de  perseguição religiosas ,  também houve refrigérios em que igreja e comunidade passaram a falar uma mesma linguagem.

Ele sai deixando marcas profundas na igreja, de um homem simples, porém profundamente sábio e zeloso na obra de Deus. E esse legado ajudaria a igreja a continuar a sua jornada de adoração, testemunho e pregando o Evangelho.

Nesse período da história o mundo estava caminhando para uma nova guerra mundial (a segunda apenas 20 anos pós a primeira terminar). As notícias que chegava no Arraial eram alarmantes. E com certeza influenciaria a nossa pequena cidade e também a nossa igreja.

Para um novo ciclo ministerial, a igreja aprova o nome do  Pr. Antônio Valadares.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Pequenas crônicas dos 100 anos da PIBAC - 16


 Toda membresia na EBD.

O ensino na Palavra foi algo que a Igreja Batista em Arraial do Cabo sempre  priorizou. Se houvesse um lema para a igreja da década de 30 e 40, seria esse: “Onde tem um crente, tem um aluno da EBD”.  havia um despertar para o estudo das Escrituras sagradas de tal maneira que a Escola bíblica Dominical tinha mais matriculados do que o total de membros da igreja.

É interessante notar que pessoas que marcaram o caminhar da nossa igreja tem os seus nomes  arrolados como professores e alunos da EBD e com certeza, tiveram um aprendizado impar na doutrina e no exercício da vida cristã.

Além disso, aqueles que, por acaso, nos poderiam comparecer as reuniões, procuravam a liderança para, por iniciativa, explicar o motivo. Em alguns casos, o aluno faltoso era colocado em disciplina pela igreja por negligencia com o aprendizado.

Assim, fundamentado no que a Palavra ensinava, a igreja se desenvolvia em todos os aspectos, e crescia, não apenas em quantidade, mas também preparava novos líderes para continuar a jornada da igreja.

Pequenas crônicas dos 100 anos da PBAC - 15

 


Seminaristas

Nesses períodos de pastores itinerantes, muitas vezes o pastor e a igreja pediam para a Junta de Educação, junto com o Seminário do Sul para enviar seminaristas (em férias) para ficar um período (de 15 dias a um mês) na igreja. Geralmente ficava ou na casa do vice presidente ou de um membro da igreja voluntário.

Nesse período, que servia com um estágio para o seminarista, ele ajudava em todos os trabalhos da igreja, como mensagens, visitações, discipulado, estudos e ajudava no planejamento e organização da igreja. Só não era permitido realizar batismos e celebrar Ceia, e presidir os cultos administrativos. 

Geralmente nesse período, o pastor da igreja ficava desobrigado em fazer a sua visita quinzenal ou mensal a cidade. Ao final, a igreja enviava para a Junta de Educação um agradecimento, que servia como uma aprovação do que foi feito no período da visita.

Muitos pastores da denominação que iriam estar a frente das igrejas nas décadas seguintes, participaram desse intercambio e se sentiram amados pela igreja e colaboradores do crescimento do Reino