quinta-feira, 7 de setembro de 2023

PEQUENAS CRONICAS 100 ANOS DA PIBAC (11)


 Uma igreja missionária

Apesar de ser localizada num vilarejo pequeno, a Igreja Batista em arraial do Cabo sempre primou por abençoar vidas e igrejas. Na década de 30, algumas pessoas da comunidade foram  ajudadas tendo o seu estudo em parte custeado pela igreja.

E mesmo estando em construção, a igreja participou com liberalidade enviando ofertas para construção de templo de outras igrejas como  de Campos e a de Lavras.

Também participava ativamente  das campanhas de Missões Estrangeiras e Nacionais, se desafiando a levantar sempre ofertas maiores do que o ano anterior e se alegrando a participar do Ide, mesmo a distância.  Era fiel com o plano cooperativo e de enviar oferta para a educação, além de periodicamente  amortizar a dívida com a Junta de Patrimônio.

Uma pequena igreja constituída de famílias de pescadores num pequeno  e distante vilarejo, mais que sempre teve como visão o abençoar vidas, outras igrejas  e alcançar outros povos. Enfim, a Igreja Batista em Arraial do Cabo sempre foi uma igreja missionária


PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC - (10)







Uma cidade cercada de água... sem água

Uma das grandes dificuldades do vilarejo Arraial do Cabo na primeira metade do século XX era a escassez de água potável.  A água utilizada era do poço para os  serviços mais pesados e a da cacimba para cozinhar e beber. Os moradores da praia dos anjos frequentavam o poço do Sobral enquanto os da praia grande cavavam cacimbas na areia.

Então com o homem indo para o mar em busca do peixe, que era o sustento familiar, as mulheres geralmente eram as responsáveis de  transportar a água até as casas.

Assim elas saiam bem cedo para a praia, cavavam as cacimbas e ali lavavam suas roupas, colocando-as para secar num arbusto por perto. Enquanto as roupas iam secando, elas enchiam as latas de água e transportava sobre as cabeças para suas casas. Os homens quando podiam, traziam as águas sobre os ombros, com um pau de galão e duas latas na extremidade.

Muitas vezes as mulheres levavam a comida e comiam perto da cacimba. as crianças brincavam por perto, ou as vezes tomavam banho num lagamar. outras vezes, iam fazer outras tarefas e voltavam a tardinha para buscar a roupa já seca.



 


 

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC (9)

 


Tempo das lamparinas.

Nos anos 30, os cultos eram realizados pela manhã e a tardinha, antes de escurecer. Então sempre era necessário ter as lamparinas a querosene a disposição, para, escurecendo, acender para iluminar o ambiente. Nessa época sempre tinha um responsável para comprar o combustível, preparar o pavio e acender a lamparina para clarear o ambiente quando fosse  necessário.

No início dos trabalhos no novo templo  as famílias traziam as lamparinas seguindo um revezamento , até que a igreja comprou uma para esse fim exclusivo.

Anos depois, a igreja comprou um  gerador a óleo diesel, que facilitou muito a iluminação o templo, mas era um equipamento caro para uma pequena igreja e tinha uma manutenção complexa, visto que na região não tinha peças de reposição; Assim de vez em quando as lamparinas voltavam a ação e, na falta do querosene, usava-se as velas.

A energia elétrica só chegaria na igreja na década de 60, já no outro templo e novo endereço.

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS (8)



Batismos

Os batismos eram celebrados ocasionalmente. Sempre que havia alguém sendo discipulado, já se criava uma expectativa para a celebração. A data sempre era marcada de acordo com a possibilidade do pastor itinerante estar presente.

O local escolhido para o Batismo ser celebrado era na praia da Rama, hoje conhecida como Praia dos Anjos por ser uma praia mais calma, com águas mais quentes e  de acesso mais fácil. Nessa época o acesso a prainha era mais complicado e a Praia Grande, além de ser fria, tinha a fama se ser perigosa.

A data era mantida em segredo, para evitar que manifestações acontecesse contra os chamados “protestantes”. Assim procurava-se evitar discórdias e atritos, que por certo, tirariam o brilho e alegria da celebração. Geralmente era realizado a tarde, pois era o horário de menos movimento na praia e também evitava horário que poderiam coincidir com a realização de missa na Igreja Católica.

Apesar dessas dificuldades, almas eram ganhas para Cristo, a igreja crescia e vibrava em frente ao mar, de onde vinha muitas vezes o sustento, agora com uma incontida alegria espiritual.


terça-feira, 5 de setembro de 2023

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC


AINDA FALANDO DE FAROL

No século XIX, ainda no período da monarquia, muitos navios encalharam ou tiveram dificuldades, para contornar o litoral de nossa região, visto que somos uma porção de terra que adentra o mar. Estudos mostraram da necessidade de se construir um farol na chamada Ilha de Cabo Frio (hoje mais conhecida como ilha do farol)

Com ordem explicita do imperador, foi construído em tempo recorde um lindo farol na parte mais alta da ilha. Inaugurado em 17 de fevereiro de 1836, a construção tem vista de 360 graus do mar de Arraial do Cabo, das praias e de outras cidades da Região dos Lagos.

Mas infelizmente os responsáveis pela obra não consultaram os pescadores da pequena aldeia, senão eles seriam informados que a parte mais alta da ilha geralmente fica escondida por nuvens, o que atrapalhava o bom funcionamento do farol.

Assim, pouco anos depois, foi construído um outro farol, num ponto mais baixo que o antigo, e tem servido de LUZ para  guiar bem os navios em nosso litoral. Assim, Arraial ficou com o Farol novo para sinalizar os navegantes e o farol velho, que é o local que melhor mostra toda a beleza da região, como um grande erro de construção.

Então podemos afirmar que o faroleiro Alfredo de Almeida, quando estava na ilha, era o responsável pela LUZ que sinalizava os perigos para os navegantes... e quando estava na pequena a aldeia, era o evangelista que trazia a verdadeira LUZ para os cabistas.

 

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC (7)


 Pastor Honório

Em 1928  o  pastor José Silveira estava com muita dificuldade de continuar à frente dos trabalhos em nossa igreja.

Seguindo a orientação  dos Batistas Fluminenses, A igreja convida e o pastor Honório de Souza aceita pastorear Arraial do Cabo, seguindo praticamente o mesmo tipo de trabalho do pastor anterior. Ele pastoreou a nossa igreja por 10 anos (1928 e 1938), deixando marcas em nossa comunidade.

Foi durante o seu Ministério que a Igreja Batista em Sapeatiba ( Hoje PIB em São Pedro d’Aldeia) foi organizada com o apoio de vários membros  de nossa igreja, que em 1933, pediram carta para a nova igreja  durante a organização e meses depois voltaram para a igreja do Arraial. É bom frisar quem o pr. Honório ficou também a frente da nova igreja em seu ministério como pastor itinerante.

Assim como o pr. José Silveira, o pr. Honório foi um dos pioneiros no trabalho batista em nossa região, ou melhor, em nosso estado, visto que pastoreou muitas igrejas além da nossa, e por fim pastoreou a Igreja Batista em Catimbau Pequeno, Rio Bonito por vários anos

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

PEQUENAS CRÔNICAS DOS 100 ANOS DA PIBAC (6)



6 -O primeiro templo

A nova igreja sonhava com o dia que teria um templo próprio para reuniões. Mas eram tempos difíceis não só financeiramente, mas também tempo de intensa perseguição. A igreja adquiriu um terreno na Avenida Getúlio Vargas e depois de muito sacrifício começou a construção do templo, mas infelizmente a parede que era construída com suor durante o dia amanhecia derrubada no chão. 

Um dia  dois moradores da cidade, depois de ouvirem testemunhos do amor de Jesus, aceitaram a Cristo e procuraram a liderança,  falando que obra poderia continuar, pois eles eram da turma que a noite derrubavam as paredes e os sonhos da igreja e se comprometeram, não só em ajudar na construção,  como também falar com os demais arruaceiros para contribuírem com a obra.

Assim, foi construído o primeiro templo, simples mais resultado de sonhos, luta e de vitória. e que foi a casa da adoração da igreja por quase 20 anos